Você já se sentiu pressionado para contratar um serviço ou fazer uma compra? Veja como driblar essas


Que levante a mão o motorista que nunca se sentiu intimidado em uma oficina, loja de autopeças ou posto de combustível. No dia a dia, o dono de um carro pode passar por diversas situações em que se vê pressionado a adquirir um serviço ou comprar algo. E muitas dessas situações são o que se chama de “empurroterapia”. É a prática de tentar empurrar produtos e reparos que, muitas vezes, nem são necessários.

E o proprietário do automóvel, por pressa ou mesmo por não estar inteirado daquele assunto, pode acabar aceitando.

Informação

Nenhum dono de carro é obrigado a ser especialista em engenharia ou mecânica. Mas é bom pesquisar e estudar sobre o veículo que está em sua garagem.

É a melhor forma de não ser enrolado por estabelecimentos que agem de má-fé. A principal fonte de informação que você tem é o Manual do Proprietário.

“Lá tem todas as informações sobre verificação, prazos e trocas de peças e serviços, que variam de fabricante para fabricante”, explica Edson Orikassa vice-presidente da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). “Inicialmente, o dono do automóvel deve estar ciente daquilo que é necessário para a manutenção. Ter noção do que é fundamental para seu uso diário. Com esse conhecimento, tudo que for oferecido fora daquele escopo deve ser recusado”, orienta Marcele Soares, coordenadora de atendimento do Procon-SP.

Na oficina

As lojas de autosserviço e oficinas mecânicas podem intimidar muita gente já ao entrar. E é aí que mora o perigo. Demonstrar desconhecimento total sobre o reparo ou diagnóstico pode ser um prato cheio para para espertalhões.

Antes de mais nada, procure um estabelecimento de sua confiança ou que tenha sido bem recomendado. Tome cuidado com diagnósticos apocalípticos. Daqueles que condenam todo um sistema.

Por exemplo, em lojas de componentes de suspensão. Algumas dão a extrema-unção ao amortecedor só de olhar, mas você mesmo pode observar como está a peça através do comportamento do carro.

Em uma lombada ou valeta, preste atenção se, depois de passar com o veículo, a parte de trás do carro está “quicando” de forma excessiva.

Ou, com o automóvel estacionado, vale também aquela velha dica: pressione a carroceria do carro para baixo na altura das rodas com força e solte abruptamente. Se continuar oscilando para cima e para baixo mais de uma vez, pode ser amortecedor gasto.

Pesquise também fotos de outros itens, como buchas, bandejas e batentes para ter uma ideia de como elas se apresentam em condições de funcionamento. Na loja, peça para o mecânico levantar o carro no elevador e acompanhe a inspeção do profissional para ver se elas precisam ser trocadas.

“Alguns problemas nestas peças são facilmente identificados. A bucha dá para verificar se caiu ou se está para fora do componente. A bandeja é possível ver se está trincada ou amassada. Quanto à mola, basta verificar se um anel do espiral está batendo no outro”, afirma Orikassa.

Outra recomendação comum é verificar em mais de uma loja. “O que o Procon orienta é que o consumidor faça uma pesquisa com mais de um fornecedor, para que ele possa avaliar não somente o valor e as condições de pagamento como também a reputação do próprio prestador”, ressalta Marcele Soares.

O famoso trio

Alinhamento de direção, balanceamento de pneus e cambagem parecem anúncio de açougue de supermercado, algo como “pá, peito e acém”.

Mas muita calma, que um não é pré-requisito para o outro. O fato é que, colocou pneus novos, faça, sim, o balanceamento.

“As montadoras exigem dos fornecedores uma uniformidade no perfil do pneu, com uma tolerância bem estreita. Então, quando você compra um novo no mercado de reposição, provavelmente ele não estará dentro daquela uniformidade. Essa variação afeta rolamento, ponta de eixo e faz a direção vibrar. Por isso a necessidade de balanceamento”, explica o vice-presidente da AEA.

Mas o alinhamento da direção não é obrigatório ao trocar o pneu. E costuma ter prazos mais dilatados para verificação, a cada 20 mil ou 30 mil km. O mesmo vale para cambagem, que geralmente tem intervalos ainda maiores.

Na concessionária

Mesmo na rede autorizada, as revisões seguem um plano de serviços predefinido – e geralmente com preço fixo. No próprio site da marca você pode observar quais verificações e trocas são feitas a cada visita e qual o custo delas.

Mas é comum a oferta de serviços extras, como a famosa limpeza dos bicos injetores. Se o seu carro não está falhando nas acelerações ou nenhuma luz do painel acendeu, não precisa fazer nenhuma “limpeza``.

Outra usual é a higienização do ar-condicionado, mas essa geralmente é recomendada a cada 20 mil ou 30 mil km (olha lá no Manual!).

“O consumidor não é obrigado a ter um produto ou serviço que não solicitou ou que não está previsto nos requisitos de manutenção em contrato. Por isso, o Manual deve informar e o cliente deve se informar do que é coberto pela garantia e de suas obrigações para manter essa garantia”, afirma a coordenadora do Procon.

A venda de acessórios originais nas revendas também é comum – e até válida, pois são itens homologados pelo fabricante e que não comprometem a garantia de fábrica do carro.

Mas é preciso ter bom senso e medir desejo-necessidade-vontade.

Por: Quatro Rodas

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